CEALAG NO COMBATE CONTRA A DOENÇA MENINGOCÓCICA


Considerada uma doença de notificação compulsória, a doença meningocócica (DM) é uma das infecções, pela letalidade e das sequelas que pode deixar, alvo de preocupação mundial para a saúde pública.

A fim de conhecer mais sobre as sequelas deixadas pela doença, o CEALAG em conjunto com a Organização Pan-Americana da Saúde deu inicio a um inquérito com o objetivo de analisar as características das sequelas em pacientes com idades entre 0 e 19 anos diagnosticados entre os anos 2010 e 2015.

Classificadas em 12 sorogrupos diferentes (A, B, C, H, I, K, L, W, X, Y, Z e E), a DM pode ocorrer de maneira endêmica ou epidêmica, sendo que a maioria dos casos ocorre de maneira esporádica com variações sazonais. No Brasil, a doença é considerada endêmica, com ocorrências de surtos que variam conforme a região. É valido destacar que nos últimos 10 anos, as taxas de incidência se mantiveram estáveis, com cerca de 1,5 casos a cada 100 mil habitantes. Hoje em dia, o sorogrupo C é o maior causador de meningocócica no país. Só em 2016, ele foi responsável por 55% dos casos identificados.

As principais formas de aparição da meningocócica são a meningite e a septicemia, que em alguns casos podem se apresentar simultaneamente. É importante ressaltar que a septicemia é mais comum em crianças do que em adultos. Embora haja uma menor taxa de mortalidade entre as crianças, a incidência de sequelas torna-se maior principalmente nos pacientes com idades inferiores a cinco anos, podendo apresentar sequelas permanentes.

Para a realização do inquérito, o CEALAG conseguiu junto ao Ministério da Saúde um banco de dados contendo informações de indivíduos infectados com a DM que incluem nome, sexo, data de nascimento, endereço, telefone, sorogrupo, quadro clínico, resultado quimiocitológico do líquor, resultado de culturas colhidas, situação vacinal, hospital de internação e evolução.

Após uma análise minuciosa a fim de extinguir possíveis duplicidades de casos, foram encontrados 2.700 pacientes com idades entre 0 e 19 anos diagnosticados com a doença meningocócica no município de São Paulo e Grande São Paulo. Em seguida, os pais dessas crianças e adolescentes serão contatados e convidados a participarem de uma pesquisa em ordem cronológica inversa, com o intuito de atingir uma amostra de aproximadamente 300 pacientes.

Por fim, estes pais e pacientes serão entrevistados, seguindo um questionário pré-definido pela organização. Posteriormente, todos os pacientes serão submetidos a três tipos de exames: audiometria, oftalmológica e investigação laboratorial de lesão renal.

Todas estas informações passarão por análises em um software de estatística, que estabelecerá comparações de todas as variáveis com um nível de significância estatística de 95%.

O projeto teve início no dia 15 de janeiro deste ano, com a coordenação do Dr. José Cássio de Moraes, e tem previsão de término em 15 de junho de 2019.

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